segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O que é a Raiva ?


Criado em 24/11/14  -  Atualizado em 10/06/16


Conceito:

A raiva, também conhecida como hidrofobia, é uma doença infecciosa aguda que leva à morte.  Causada por um vírus, é caracterizada por sintomatologia nervosa que acomete animais e seres humanos.

Pode acometer todas as espécies de mamíferos, incluindo o homem, sendo seu prognóstico fatal em praticamente todos os casos.

É uma zoonose (antropozoonose) que tem como hospedeiro, reservatório e transmissor, o animal que, dependendo da situação, transmite a doença aos humanos através da mordedura, arranhadura ou lambedura.

O cientista Louis Pasteur conseguiu isolar o vírus em 1881, inoculando coelhos por via intracerebral, e preparou a primeira vacina antirrábica em 1884.


Agente etiológico:




O agente infeccioso é o vírus da raiva, da família Rhabdoviridae e pertencente ao gênero dos Lissavirus.






Reservatório

O vírus rábico pode infectar todos os mamíferos. Didaticamente podemos dividir a doença em ciclos de transmissão conforme os principais reservatórios da raiva encontrados no Brasil, a seguir:

-  ciclo aéreo, que envolve os morcegos hematófagos e não hematófagos;

-  ciclo rural, representado pelos animais de produção;

-  ciclo urbano, relacionado aos cães e gatos;

-  ciclo silvestre terrestre, que engloba os saguis, cachorros do mato, raposas, guaxinim, macacos entre outros animais selvagens.



Modo de transmissão

A transmissão da raiva se dá pela penetração do vírus contido na saliva do animal infectado, principalmente pela mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas. O vírus penetra no organismo, multiplica-se no ponto de inoculação, atinge o sistema nervoso periférico e, posteriormente, o sistema nervoso central (sentido centrifugo). A partir daí, dissemina-se para vários órgãos e glândulas salivares, onde também se replica (sentido centrípeto) e é eliminado pela saliva das pessoas ou animais enfermos. 

Existe, na literatura, o relato de oito casos de transmissão inter-humana por meio de transplante de córnea. Nos Estados Unidos, em 2004, foram registrados quatro casos de raiva humana referentes a indivíduos que receberam órgãos doados (fígado, dois rins e artéria ilíaca) de um indivíduo que morreu por infecção pelo vírus da raiva. O mesmo ocorreu na Alemanha, em 2005, com três indivíduos após transplante de órgãos (pulmão, rim e pâncreas) de um indivíduo que faleceu devido àquela infecção. Em ambos os países, os doadores dos órgãos não tiveram suspeita diagnóstica de raiva. Possibilidade remota de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em animais) e vertical também são relatadas.



Sintomas nos animais:

A raiva pode apresentar vários sinais clínicos, tornando-se difícil diferenciar de outras síndromes nervosas aguda progressivas. Os sinais podem incluir alterações de comportamento, depressão, demência ou agressão, dilatação da pupila, fotofobia (medo do claro), incordenação muscular, mordidas no ar, salivação excessiva, dificuldade para engolir devido à paralisia da mandíbula, déficit múltiplo de nervos cranianos, ataxia e peresia dos membros posteriores progredindo para paralisia. 

Neste estágio o animal para de comer e beber. O estágio paralítico pode durar de um a dois dias, seguido de morte por parada respiratória. O período de incubação, a partir da mordida até o início dos sinais clínicos, é variável, podendo ser de duas semanas a seis meses. Mas a partir do momento em que sejam vistos os sinais neurológicos, a doença é rapidamente progressiva, com a morte ocorrendo dentro de sete dias, na maioria dos animais. Mordidas na face, cabeça e pescoço resultam em períodos de incubação mais curto.





Sintomas nos humanos:

O homem recebe o vírus da raiva através do contato com a saliva do animal enfermo. Isto quer dizer que, para ser inoculado, não precisa necessariamente ser mordido - basta que um corte, ferida, arranhão profundo ou queimadura em sua pele entrem em contato com a saliva do raivoso. Independente da forma de penetração, o vírus se dirige sempre para o sistema nervoso central. O tempo de incubação, porém, varia com a natureza do vírus, o local da inoculação e a quantidade inoculada. Se o ponto de contágio tiver sido a cabeça, o pescoço ou os membros superiores, o período de incubação será mais breve, porque o vírus atingirá a região predileta com maior rigidez. A partir daí, o vírus migra para os tecidos, mas sobretudo para as glândulas salivares, de onde é excretado juntamente com a saliva. 

Tanto no homem como nos animais, quando os sintomas da moléstia se manifestam, já não há mais cura possível - a morte é certa. Assim, todo tratamento tem que ser feito durante o período de incubação, quando o paciente não apresenta sintomas e não manifesta queixas. 

No homem, o primeiro sintoma é uma febre pouco intensa (38 graus centígrados) acompanhada de dor de cabeça e depressão nervosa. Em seguida, a temperatura torna-se mais elevada, atingindo 40 a 42 graus. Logo a vítima começa a ficar inquieta e agitada, sofre espasmos dolorosos na laringe e faringe e passa a respirar e engolir com dificuldade. Os espasmos estendem-se depois aos músculos do tronco e das extremidades dos membros, de forma intermitente e acompanhados de tremores generalizados, taquicardia, parada de respiração. 

Qualquer tipo de excitação pode provocá-los (luminosa, sonora, aérea, etc.). O homem, ao contrário do cão, torna-se hidrófobo (sofre espasmos violentos quando vê ou tenta beber água). Frequentemente experimenta ataques de terror e depressão nervosa, apresentando tendência à vociferação, à gritaria e à agressividade, com acessos de fúria, alucinações visuais e auditivas, baba e delírio. 

Esse período de extrema excitação dura cerca de três dias, vindo, a seguir, a fase de paralisia, mais rápida e menos comum nos homens do que nos animais. É então que se nota paralisia flácida da face, da língua, dos músculos da deglutição, dos oculares e das extremidades dos membros. Mais tarde, a condição pode atingir todo o corpo. 

Às vezes, a moléstia pode manifestar evolução diferente: surge com a paralisia progressiva das extremidades e logo se generaliza. Mas, seja qual for o tipo, a raiva sempre apresenta uma evolução fatal para o paciente.


Medidas de prevenção:

-  Vacinar anualmente cães e gatos; 
-  Não se aproximar de cães e gatos sem donos;
-  Não mexer ou tocar quando os mesmos estiverem se alimentando ou dormindo;
- Nunca tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem caídos no chão ou encontrados em situações não habituais.


O que fazer quando agredido por um animal, mesmo se ele estiver vacinado contra a raiva

- Lavar imediatamente o ferimento com água e sabão;
- Procurar com urgência o Serviço de Saúde mais próximo;
- Não matar o animal, e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que se possa identificar qualquer sinal indicativo da raiva;
- O animal deverá receber água e alimentação normalmente, num local seguro, para que não possa fugir ou atacar outras pessoas ou animais;
- Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, voltar imediatamente ao Serviço de Saúde;
- Nunca interromper o tratamento preventivo sem ordens médicas;
- Quando um animal apresentar comportamento diferente, mesmo que ele não tenha agredido ninguém, não o mate e procure o Serviço de Saúde.


A situação da raiva no Brasil

No Brasil, a raiva animal apresenta-se de forma endêmica, pois é detectada em diversas espécies de animais. Embora o maior número de registros incida nos animais de produção, o maior risco epidemiológico de transmissão continua sendo decorrente da raiva canina em centros urbanos, dado o ciclo de transmissão mais relevante à saúde pública.

De 2011 a maio de 2016 foram confirmados 4.740 casos de raiva animal no país.  A região sudeste registra o maior número, 2.009, seguida da região sul, com 1.050 casos. O nordeste apresenta 963 casos; e a região centro-oeste, 509.  E assinalando 209 casos da doença em animais, a região norte.
No mesmo período, foram confirmados 15 casos totais de raiva humana no país.  Destes, 11 na região nordeste – 07 transmitidos por cães, 02 por saguis, 01 por gato e 01 por primata não humano.  O centro-oeste registrou 02 casos, um por cão e outro por animal de origem desconhecida.  O sudeste apresentou apenas 01 ocorrência de raiva humana, sendo transmitida por morcego; e a região norte, também 01 caso, porém por felino (gato).

Todos os casos de raiva humana, nesse período, foram consequência da falta de procura pela assistência médica em tempo oportuno ou por equívocos no atendimento profilático antirrábico humano que não seguiram o esquema preconizado pelo Ministério da Saúde.



Fontes:     FIOCRUZ      Instituto Pasteur (SP)      Ministério da Saúde       Saúde Animal  

2 comentários:

  1. Gostaria de saber quando haverá vacinação gratuita aqui em Niterói.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa tarde Miriam !

      A data provável para a campanha de vacinação antirrábica animal em Niterói é 07 de outubro. No entanto, o Centro de Controle de Zoonoses realiza a vacinação antirrábica animal gratuita durante todo o ano, de segunda à sexta-feira, das 8h às 17h, em seus postos fixos. Veja os endereços no link abaixo:

      http://cczniteroirj.blogspot.com.br/2016/06/postos-fixos-de-vacinacao-antirrabica.html

      Excluir