domingo, 25 de janeiro de 2015

FEBRE DE CHIKUNGUNYA


O que é ? 

A Febre de Chikungunya é uma doença infecciosa, uma arbovirose, causada pelo vírus Chikungunya, da família Togaviridae e do gênero Alphavirus

O nome Chikungunya deriva de uma palavra em Makonde, a língua falada por um grupo que vive no sudeste da Tanzânia e norte de Moçambique. Significa "aqueles que se dobram", descrevendo a aparência encurvada de pessoas que sofrem com a artralgia (dores articulares) característica.



O vírus

Diferentemente da dengue, que tem quatro subtipos, o Chikungunya é único. Uma vez que a pessoa é infectada e se recupera, ela se torna imune à doença. Quem já pegou dengue não está nem menos nem mais vulnerável ao Chikungunya: apesar dos sintomas parecidos e da forma de transmissão similar, tratam-se de vírus diferentes.

O vírus Chikungunya foi identificado pela primeira vez entre 1952 e 1953, durante uma epidemia na Tanzânia. Mas casos parecidos com essa infecção – com febres e dores nas articulações – já haviam sido relatados em 1770. Até dezembro de 2013 era desconhecido na América Latina. Agora, o continente contabiliza milhares de casos e o número de vítimas fatais passa de cem - a maioria em países do Caribe, segundo estatísticas oficiais.


Transmissão

Aedes albopictus (acima) e
Aedes aegypti (abaixo)

A transmissão do vírus Chikungunya se dá através da picada de fêmeas dos mosquitos do gênero Aedes, sendo o Aedes aegypti e o Aedes albopictus,  infectadas pelo CHIKV.

Casos de transmissão vertical podem ocorrer quase que exclusivamente, no intraparto de gestantes virêmicas e, muitas vezes, provoca infeção neonatal grave (gestante virêmica – bebê durante o parto), bem como por transfusão sanguínea, mas são raros.





Sintomas

Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações. Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.  Os sintomas da doença costumam durar de três a 10 dias. A letalidade da Chikungunya, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), é rara, sendo menos frequente que nos casos de dengue.

Na fase aguda da doença, a febre é alta, aparece de repente e vem acompanhada de dor de cabeça, mialgia (dor muscular), exantema (erupção na pele), conjuntivite e dor nas articulações (poliartrite). Esse é o sintoma mais característico da enfermidade: dor forte nas articulações, tão forte que chega a impedir os movimentos e pode perdurar por meses depois que a febre vai embora.

Nem todos os indivíduos infectados pelo vírus Chikungunya desenvolvem sintomas. Estudos mostram que 3% a 28% apresentam infecção assintomática. No entanto, em relação às outras arboviroses, a taxa de pacientes assintomáticos é baixa e o número de pacientes que necessitarão de atendimento é elevado. 

Os casos graves ocorrem com maior frequência em extremos de idade e pacientes com co-morbidades (história de convulsão febril, diabetes, asma, insuficiência cardíaca, alcoolismo, doenças reumatológicas, anemia falciforme, talassemia, hipertensão), crianças e aqueles que estão em uso de alguns fármacos (aspirina, anti-inflamatórios e paracetamol em altas doses). A idade avançada também é um fator de risco para doença grave pelo vírus do Chikungunya. Estudos mostram que pacientes com idade acima de 65 anos têm uma taxa de letalidade cerca de 50 vezes maior do que indivíduos abaixo de 45 anos.

Embora a Febre de Chikungunya não seja uma doença de alta letalidade, tem elevada taxa de morbidade associada à artralgia persistente, que pode levar à incapacidade e, consequentemente, redução da produtividade e da qualidade de vida.


Prevenção

Para evitar a transmissão do vírus, é fundamental que as pessoas reforcem as ações de eliminação dos criadouros dos mosquitos. As medidas são as mesmas para o controle da dengue, ou seja, verificar se a caixa d’água está bem fechada; não acumular vasilhames no quintal; verificar se as calhas não estão entupidas; e colocar areia nos pratos dos vasos de planta, entre outras iniciativas deste tipo.

Não existe vacina contra a Febre de Chikungunya. Na verdade, a prevenção consiste em adotar medidas simples no próprio domicílio e arredores que ajudem a combater a proliferação do mosquito transmissor da doença.

Saiba como eliminar os focos do Aedes aegypti:


Tratamento

Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. Na fase aguda, o tratamento contra a Febre de Chikungunya é sintomático. Analgésicos e antitérmicos são indicados para aliviar os sintomas. Manter o doente bem hidratado é medida essencial para a recuperação.  Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragias. Quando a febre desaparece, mas a dor nas articulações persiste, podem ser introduzidos medicamentos anti-inflamatórios e fisioterapia.



Situação no Mundo

Distribuição geográfica do vírus da Chikungunya:


• Surtos da Febre de Chikungunya ocorreram em países da África, Ásia, Europa, e os oceanos Índico e Pacífico.
• No final de 2013, a primeira transmissão local do vírus Chikungunya nas Américas foi identificado em países e territórios do Caribe. A transmissão local significa que os mosquitos da região foram infectados com o vírus e estão se espalhando para as pessoas.


Os países e territórios onde os casos foram relatados chikungunya * (a partir de 13 de janeiro de 2015)


*Não inclui países ou territórios onde foram documentados apenas casos importados. Este mapa é atualizado semanalmente, se houver novos países ou territórios que relatam a transmissão do vírus Chikungunya local. 




Situação no Brasil

Casos confirmados:

Em 2014 o Ministério da Saúde registrou 2.847 casos de Febre de Chikungunya no Brasil. Do total, 94 casos são importados, ou seja, de pessoas que viajaram para países com transmissão da doença, como República Dominicana, Haiti, Venezuela e Ilhas do Caribe.

Os outros 2.753 foram diagnosticados em pessoas sem registro de viagem internacional para países onde ocorre a transmissão. Destes casos, chamados de autóctones, 1.554 foram registrados no município de Oiapoque (AP), 996 em Feira de Santana (BA), 198 em Riachão do Jacuípe (BA), 02 Distrito Federal, 01 em Baixa Grande (BA), Boa Vista (RR) e 01 em Campo Grande (MS).

Em 2015, até o dia 07 de março, foram registrados 1.049 casos autóctones, sendo 459 na Bahia e 590 no Amapá.

Caracterizada a transmissão sustentada de Chikungunya em uma determinada área, com a confirmação laboratorial dos primeiros casos, o Ministério da Saúde recomenda que os demais sejam confirmados por critério clínico-epidemiológico, que leva em conta fatores como: sintomas apresentados e o vínculo dele com pessoas que já contraíram a doença.


Obs.:  Atualização dos casos da doença no Brasil realizada pelo Ministério da Saúde em 12/03/15.  Última pesquisa do blog aos dados do ministério foi em 13/03/15.




Fontes da Pesquisa:

Centers for Disease Control and Prevention     http://www.cdc.gov/chikungunya/
Ministério da Saúde  



Link Interessante:

Guia de Manejo Clínico da Febre de Chikungunya para profissionais, versão 2015:   
http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/fevereiro/19/febre-de-chikungunya-manejo-clinico.pdf

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